Mundo de Tinta
Acho que o primeiro a se comentar a respeito de um livro é o seu título. Um título não somente deve ser atraente ou impactante: ele é o anúncio do cerne ao qual a história se trata. Um bom título demora a ser entendido, e se fica claro antes do final da história, não é um título a ser lembrado.
Mundo de Tinta têm um excelente título.
Tendo lido os dois primeiros livros dessa trilogia, tenho fortes opiniões, tanto contra, quanto a favor da leitura desta fantasia. Acredito que a mais clara de todas, seja uma a favor que deixei clara acima, mas que talvez você não tenha notado: foi uma trilogia que me prendeu os três volumes. Isso, por si só, já diz alguma coisa. Um ponto para Mundo de Tinta.
Vamos a outras características à favor: Os títulos. Marcantes, impactantes, e representam a essência da história. O primeiro, “Coração de Tinta”, é o que faz mais juz a seu nome. “Coração” nos remete a cerne, ao centro, a vida: não atoa é o primeiro livro da trilogia, que dá vida a essa saga. “Tinta”, por outro lado, nos remete ao fantástico exprimido entre as páginas dos livros. Coração de Tinta: onde se começa a fantasia. Só por isso, mais três pontos para Mundo de Tinta.
O segundo, “Sangue de Tinta”, produz o mesmo efeito, mesmo que agora mais sombrio. “Sangue” não apenas nos remete a matanças e a carnificina (pontos abundantes nessa sequencia), mas também é a substância que envolve, percorre, e se ferrenha ao redor das pessoas. Nada mais justo para o volume em que nos vemos cercados pela fantasia representada pela “Tinta”. Mais três pontinhos bem merecidos nesse mérito.
Fantasia... Outro forte caráter a ser debatido: aquilo que nos fascina. Dou um valor especial aos mundos da literatura que me apresentam algo novo, não antes concebido pela minha mente, que assume forma e lugar novos, e aumentam meu repertório criativo. Surpreender, essa é a palavra. E Mundo de Tinta apresenta um mundo realmente tão rico e fantástico, que sinto a mesma vontade que as personagens de me perder no meio dele. Dois pontos.
Por último, mas mais importante de todos, menciono a metalinguagem que é forte na filosofia do texto. E sim, sou um grande fã de livros com metafantasia e sua linguagem. Ela me encanta e faz ver que o fantástico e o mundando não estão tão distantes. Embora tenha sida, na minha opinião, mal explorada no texto, é extremamente interessante debater sobre as implicações que o livro nos propõe. Dois pontos que tocam o coração.
Agora, começaremos as características não-tão-agradáveis.
Começar pelos personagens na hora de criticar um livro nunca é muito agradável, mas no caso, se faz necessário e merecido. Não desmerecendo, estes, não, de maneira alguma. São excelentes personagens, com potencial monstruoso para ficarem naquele lugar especial do coração que só os aventureiros com os quais nos juntamos nas páginas dos livros recebem. E justamente por isso começo minha crítica aos personagens: eles podiam, mas não foram.
Os personagens poderiam, ou melhor, deveriam ser melhor explorados. Seus sonhos, ambições, medos e razões de ser... Tudo aquilo que cria em nós, leitores, o vínculo tão especial com eles. Por diversas vezes eles têm reações mais adequadas ao momento do que a suas personalidades ditariam (salvo algumas parcas exceções). Esse bloqueio, a falta de vida inspirada aos personagens, nos distancia um pouco da obra, e acaba por dar a Mundo de Tinta três pontos a menos.
Depois, menciono a linguagem. Muitos me criticam por ser muito criterioso com relação a isso, mas não há jeito: Simplesmente não engulo o linguajar oferecido na maioria dos livros infanto-juvenis. Isso é em maior parte minha opinião, mas de qualquer maneira, a crítica é minha. Acho que a falta de exploração da linguagem, com descrições desmedidas e diálogos despretensiosos torna a leitura enfadonha. Menos outros três pontos com os comprimentos do meu gosto particular.
Por fim, algo que simplesmente mata quanto está em falta num livro: A epicidade. A capacidade de um livro em te guiar a um clímax épico, tenso, empolgante, que o prenda as páginas pela simples graça de um enredo incrivel. Não, eu não encontrei algo que fizesse a tinta em minhas veias correr mais rápido. Mais interessado ficava em ler o livro esperando algumas das explosões criativas de Cornelia Funke do que o desenrolar de seu enredo. E isso lhe custa menos três pontos.
Terminamos então, com 12 a 9, uma vitória apertada a
favor de Mundo de Tinta. Recomendo, sob supervisão criteriosa. Não
extranhe se começar a ver o fogo como um colega ou suspeitar de
leitores de histórias em voz alta.
Acho que o primeiro a se comentar a respeito de um livro é o seu título. Um título não somente deve ser atraente ou impactante: ele é o anúncio do cerne ao qual a história se trata. Um bom título demora a ser entendido, e se fica claro antes do final da história, não é um título a ser lembrado.
Mundo de Tinta têm um excelente título.
Tendo lido os dois primeiros livros dessa trilogia, tenho fortes opiniões, tanto contra, quanto a favor da leitura desta fantasia. Acredito que a mais clara de todas, seja uma a favor que deixei clara acima, mas que talvez você não tenha notado: foi uma trilogia que me prendeu os três volumes. Isso, por si só, já diz alguma coisa. Um ponto para Mundo de Tinta.
Vamos a outras características à favor: Os títulos. Marcantes, impactantes, e representam a essência da história. O primeiro, “Coração de Tinta”, é o que faz mais juz a seu nome. “Coração” nos remete a cerne, ao centro, a vida: não atoa é o primeiro livro da trilogia, que dá vida a essa saga. “Tinta”, por outro lado, nos remete ao fantástico exprimido entre as páginas dos livros. Coração de Tinta: onde se começa a fantasia. Só por isso, mais três pontos para Mundo de Tinta.
O segundo, “Sangue de Tinta”, produz o mesmo efeito, mesmo que agora mais sombrio. “Sangue” não apenas nos remete a matanças e a carnificina (pontos abundantes nessa sequencia), mas também é a substância que envolve, percorre, e se ferrenha ao redor das pessoas. Nada mais justo para o volume em que nos vemos cercados pela fantasia representada pela “Tinta”. Mais três pontinhos bem merecidos nesse mérito.
Fantasia... Outro forte caráter a ser debatido: aquilo que nos fascina. Dou um valor especial aos mundos da literatura que me apresentam algo novo, não antes concebido pela minha mente, que assume forma e lugar novos, e aumentam meu repertório criativo. Surpreender, essa é a palavra. E Mundo de Tinta apresenta um mundo realmente tão rico e fantástico, que sinto a mesma vontade que as personagens de me perder no meio dele. Dois pontos.
Por último, mas mais importante de todos, menciono a metalinguagem que é forte na filosofia do texto. E sim, sou um grande fã de livros com metafantasia e sua linguagem. Ela me encanta e faz ver que o fantástico e o mundando não estão tão distantes. Embora tenha sida, na minha opinião, mal explorada no texto, é extremamente interessante debater sobre as implicações que o livro nos propõe. Dois pontos que tocam o coração.
Agora, começaremos as características não-tão-agradáveis.
Começar pelos personagens na hora de criticar um livro nunca é muito agradável, mas no caso, se faz necessário e merecido. Não desmerecendo, estes, não, de maneira alguma. São excelentes personagens, com potencial monstruoso para ficarem naquele lugar especial do coração que só os aventureiros com os quais nos juntamos nas páginas dos livros recebem. E justamente por isso começo minha crítica aos personagens: eles podiam, mas não foram.
Os personagens poderiam, ou melhor, deveriam ser melhor explorados. Seus sonhos, ambições, medos e razões de ser... Tudo aquilo que cria em nós, leitores, o vínculo tão especial com eles. Por diversas vezes eles têm reações mais adequadas ao momento do que a suas personalidades ditariam (salvo algumas parcas exceções). Esse bloqueio, a falta de vida inspirada aos personagens, nos distancia um pouco da obra, e acaba por dar a Mundo de Tinta três pontos a menos.
Depois, menciono a linguagem. Muitos me criticam por ser muito criterioso com relação a isso, mas não há jeito: Simplesmente não engulo o linguajar oferecido na maioria dos livros infanto-juvenis. Isso é em maior parte minha opinião, mas de qualquer maneira, a crítica é minha. Acho que a falta de exploração da linguagem, com descrições desmedidas e diálogos despretensiosos torna a leitura enfadonha. Menos outros três pontos com os comprimentos do meu gosto particular.
Por fim, algo que simplesmente mata quanto está em falta num livro: A epicidade. A capacidade de um livro em te guiar a um clímax épico, tenso, empolgante, que o prenda as páginas pela simples graça de um enredo incrivel. Não, eu não encontrei algo que fizesse a tinta em minhas veias correr mais rápido. Mais interessado ficava em ler o livro esperando algumas das explosões criativas de Cornelia Funke do que o desenrolar de seu enredo. E isso lhe custa menos três pontos.
